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DISPONIBILIDADE DOS NUTRIENTES DO SOLO

 A) - A disponibilidade de cada nutriente, macro ou micro, está diretamente relacionada com pH  (potencial de Hidrogênio). E o pH é tão variável, quanto se apresenta a natureza da rocha mãe. Pôr exemplo, solos de origem granítica são ácidos, solos calcários são básicos. Portanto, considerando a escala de 0 a 14. teremos:

            De 0 a 7     -  O solo é ácido, quanto mais o pH se aproximar de 0.

            De 7           -  O solo é neutro.

            De 7 a 14   -  O solo é básico,  quanto mais  o pH se aproximar de 14 (alcalino).

B) - Como veremos a seguir, as disponibilidades dos macro nutrientes aumenta com a neutralização da acidez, na medida em que, na escala, o pH se aproxima de 7,0.

Pôr outro lado, certos micronutrientes  já são mais disponíveis num meio mais ácido, isto é,   entre 5,0 e 5,5. No entanto, a maioria das culturas exige um pH de 6,0 e 7,0 como veremos na tabela 2-A. Portanto, esta exigência nos leva “calagem”, com e esparramação de calcário nos solos, para que atinjamos um equilíbrio de ions  H+ com as bases de troca ( Ca++), Cálcio, e (K+) Potássio, favorecendo uma neutralidade do solo para a planta.

Um excesso de ions H+, acidez, retêm os mesmos nutrientes, seja pôr esse fator ou ainda retidos nos complexos argilo-húmicos.

 C) - Disponibilidade percentual (%) dos nutrientes em relação ao pH.

 TABELA 02              

 

             

 

 

 MACRONUTRIENTES - PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS 

                          pH 

NUTRIENTES

  4,5

  5,0

  5,5

  6,0

 

 

  6,5

  7,0

NITROGÊNIO 

 20

 50

 75

 100

 

 100

 100

FÓSFORO 

 30

 32

 40

 50

 

 100

 100

POTÁSSIO 

 30

 35

 70

 90

 

 100

 100

ENXOFRE 

 40

 80

 100

 100

 

100

 100

CÁLCIO 

 20

 40

 50

 67

 

 83

 100

MAGNÉSIO 

20

 40

 50

 70

 

 80

 100

 

 

 

 

 

 

 

 

 

% (1) - Estimativa de variação percentual, na assimilação dos principais nutrientes, pelas plantas, em função do pH do solo.

Fonte: Perspectivas da Agricultura Brasileira para 1.978/79.

 

                                       MICRONUTRIENTES 

                                                      pH

 NUTRIENTES

 

4,5

5,0

 

5,5

6,0

6,5

7,0

ZINCO

 

Zn ++

 

 Zn ++

 

  

 

 

 

 BORO 

 

 B +++

 

 

B +++

 

 

B +++

 

  

 

  

 

 MANGANÊS

  

 Mn ++

 

 

Mn ++

 

 

Mn ++

 

  

 

 

 

 FERRO 

 

 Fe ++

 

 

Fe ++

 

  

  

 

COBRE 

 Cu ++ 

 

Cu ++

 

 

  

 

 

 

 

 MOLIBDÊNIO 

  

 

 

 Mo +++

 Mo ++++ 

 Mo +++++

 

Mo+++++++

 

Como se pode observar, quanto mais o pH se aproxima da neutralidade maior é o percentual dos MACRONUTRIENTES absorvidos  pelas plantas.

 Exemplo: Num pH de 5,0 com um total de 100 Kgs. de Fósforo ( P2 O5), uma  planta apenas absorve 32%., isto é, 32 Kgs. ( P2 O5), ao passo que no mesmo pH a planta absorveria 100% de Zinco, já que este é mais disponível em solos ácidos.

Num pH de 6,5 a planta absorveria 100% de Fósforo, enquanto que o Zinco se indisponibilizaria , se fixando nos solos. Sendo assim, temos que observar, com muita atenção, a disponibilidade de cada micronutriente, pois que sua eficiência ou ausência nas diversas culturas, causa grandes perdas de produtividade.

1.      ZINCO: Este micronutriente e mais disponível para as plantas em pH. próximo de 5,0. Em  solos muito mais ácidos, o Zinco é absorvido pôr óxidos e silicatos de Ferro e Alumínio, tornando-se pouco disponível. Em solos de neutros para alcalinos, o Zinco é retido ou absorvido pelo complexo argilo-húmico sendo muito mais disponível. E também prejudica sua disponibilidade pôr excesso ou níveis altos de matéria orgânica a ainda pôr altas adubações  de Fósforos e calagens.

2.      BORO: O boro é mais disponível em pH acima de 5,0. Em solos ácidos se forma em borosilicatos insolúveis, contendo Ferro e Alumínio. Em solos alcalinos, o Borato de Cálcio é responsável pela indisponibilidade do Boro, já que aquele é insolúvel. Adubação pesada de Potássio, inibe a  absorção do Boro, tornando-o portanto, indisponível para as plantas.

3.      MANGANÊS: Mais disponível num pH de entre 5,0 e 6,0. Em solos mais ácidos é absorvido pôr óxidos e silicatos de Ferro e Alumínio, que são complexos insolúveis. Em solos alcalinos, ou a medida em que se eleva o pH, o Manganês se oxida tanto química, como biologicamente, e sua disponibilidade se relaciona diretamente com seu estado de oxidação. Em alguns solos ácidos, se encontram níveis tóxicos de Manganês, no que, a calagem, na elevação do pH ajuda na indisponibilidade do Manganês e, na diminuição daqueles níveis tóxicos.

4.      FERRO: Este micronutriente é mais disponível num pH de 5,0 a 6,5. Em solos mais ácidos ou extremamente ácidos, podem ocorrer níveis tóxicos, a exemplo do Manganês. Em solos alcalinos ou acima de 7,0,  o  Ferro se oxida, portanto formando óxidos de Ferro, insolúveis para as plantas. Adubação pesada de Fósforo também inibe a absorção de Ferro.

5.      COBRE: O Cobre é mais disponível em pH próximo de 5,0. Em solos mais ácidos, o Cobre é absorvido pôr óxidos e silicicatos de Ferro e Alumínio, tornando-se indisponível. Em solos de pH de neutro a alcalino, o ion Cobre se torna inerte, insolubilizando-se. Excesso de matéria orgânica, a níveis maiores de 6% também afeta seriamente a disponibilidade do Cobre, bem como de calagens, que na elevação do pH o indisponibiliza .

6.      MOLIBDÊNIO: Este micronutriente se torna mais disponível para as plantas, a medida em que se eleva o pH, ao contrário do Manganês e o Ferro. Em solos mais ácidos, o Molibdênio se indisponibiliza pela formação de Molibdatos insolúveis de Ferro e Alumínio. Em solos alcalinos, O Molibdênio se torna mais disponível, já que favorecida a oxidação do Sal solúvel  Mo. Em solos já de níveis óptimos de Molibdênio, pôr vezes, uma calagem se torna prejudicial, pois sua liberação para a planta, alcança níveis tóxicos, inviabilizando a produção das culturas.

 CONSIDERAÇÕES

 Depois de sabermos que o percentual de assimilação pelas plantas dos macronutrientes aumenta com a elevação do pH para uma faixa de 6,5 e sendo os macronutrientes mais exigidos pelas culturas, pôr isso mesmo chamados de macro, mas, cientes também de que as pequenas quantidades de Micros, são imprescindíveis para um completo equilíbrio nutricional, apesar da variação de um para  o outro, quanto à sua disponibilidade pelo pH, julgamos necessário seguir uma orientação muito segura, que permita atingir as metas estabelecidas, como altas de produtividade.

 A saber:

 Análise do solo completa, desde pH macro e micronutriente  e granulometria.

1.      Calagem completa com quantidade certa. Exemplo: Elevar o pH para 6,8 quando os níveis de    micronutrintes forem altos e para 6,5 quando os mesmos níveis forem normais.

2.      Adubação com as quantidades corretas que cada cultura exigir, pêlos níveis que a análise do solo transmitir.

3.      Variedade e época de plantio de acordo com o clima e região.

4.      Tratos culturais adequados.

5.      Tratamentos fitossanitários dentro dos padrões.

6.      Correção e ou manutenção de todos os nutrientes.

Considerando todos estes itens, o ideal para uma boa condução das culturas e acrescentando alguns não expressos aqui, podemos alertar que certos fatores possam ser prejudicados ao bom andamento das programadas culturas, e que seu conhecimento evite perdas de produtividade, tais como;

A)    Teores de matéria orgânica superiores a 5% favorecem o aparecimento de deficiências,   principalmente de Zinco, Cobre, Boro e Manganês.

B)     Altos teores de fosfatos no solo, com baixos níveis de micronutrientes, pois podem se formar    complexos insolúveis para a planta.

C)    Os solos arenosos favorecem a deficiência de Boro, Cobre, Manganês, e Zinco principalmente.

D)    Seca. A falta de água incide diretamente numa paralisação parcial do crescimento das plantas. iniciando uma deficiência de Boro e de Cálcio, que com a agravamento da seca, paralisa pôr completo o crescimento dos tecidos novos, levando a planta a morte.

E)     Compactação. Os solos compactados inibem o crescimento radicular das plantas, pois as raízes respiram, são seres aeróbicos,  para crescer , o oxigênio do ar tem que estar presente. Também o excesso de chuva,  pelas água empossadas provocam essa característica.

 F)     Nivelamento e formação do solo.

G)    Adubações pesadas de Nitrogênio, causam deficiências de Cálcio, Zinco e Cobre, Crescimento exagerado das Plantas, em detrimento dos frutos.

H)    Adubações pesadas de Fósforo, causam deficiências de Zinco, Ferro, Manganês e Cobre. Em solos ácidos, sabendo dos percentuais assimiláveis pelas plantas se aumentam as quantidades de Fósforo, logo surgem aquelas deficiências.

I)       Adubações pesadas de Potássio, causam deficiências de Magnésio e Boro principalmente.

J)  Calagem excessiva. Além do aparecimento imediato das deficiências de todos os micronutrientes, com exceção do Molibdênio, pode provocar uma alcalinização no solo, elevação do pH para 8,9 ou 10 sendo que, nesta situação, é muito mais moroso voltar a neutralidade, do que num solo ácido. Apenas o tempo restituiria a volta a neutralidade. Não se sabendo o tempo que demora, mas provavelmente três a quatro safras.

K)    Drenagem deficiente favorece deficiências de Ferro e Manganês.

L)     Todos estes itens, são responsáveis, pelo excesso de um pela ausência do outro, de culturas economicamente inviáveis, na tradução de um desequilíbrio Nutricional. Os níveis mínimos, determinam o máximo (fig.1)

 FIGURA 1


Considerando todos os níveis ótimos para uma cultura, aqui representados pelas aduelas de um barril, que correspondem a 100% de produção.
    

                                                                                               

Se todos os nutrientes, apenas um estiver com níveis baixos, pôr exemplo Zinco, seja pôr solos mal preparados, falta de conhecimento, ou quantidades abaixo recomendado nas adubações, a produção seria limitada pôr aquele mínimo.



Como se observa, a falta de um nutriente é responsável pela diminuição das produções, pelo que a exigência de uma correção e ou manutenção de todos os nutrientes, isolada ou conjuntamente, se faz altamente necessária e eficaz, sempre obedecendo as épocas de maior  exigência das plantas.

 

LEI DO MÍNIMO

 O RENDIMENTO DE UMA SAFRA É LIMITADO PELA DEFICIÊNCIA DE QUALQUER UM DOS NUTRIENTES ESSENCIAIS, EMBORA TODOS OS OUTROS ESTEJAM PRESENTES E EM QUANTIDADES ADEQUADAS.”      Justos Von Liebig

 

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